sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Taxa de Anilha - funciona?

Falando em serviços, creio que essa seja a oportunidade para comentar um assunto controverso: a taxa de anilha.

Taxa de anilha é o valor cobrado por algumas tabacarias com serviço de fumoir, cigar lounge ou qualquer nome que tenha o espaço destinado à degustação de charutos.

A justificativa dos lojistas para a cobrança é que a taxa de anilha estimula os clientes a comprarem seus charutos ali, inibindo-os de já os trazerem de casa.

Mas o tema merece mais atenção. Cobrar taxa de anilha não é para quem quer. É para quem pode. E quem pode não precisa. Explico a seguir:


Qualquer estabelecimento comercial deve ter seu público-alvo muito bem claro, e deve conhecer o comportamento e as preferências desse público para poder satisfazê-lo e, com isso, garantir a fidelização do cliente e o sucesso do negócio. Parece óbvio, não? Mas, incrivelmente, para alguns proprietários de tabacaria, não é. Conheço várias tabacarias pelo Brasil que não conhecem seu público e, com isso, não conseguem direcionar o negócio para atender a esse público. E vejam, uma loja de artigos populares pode ter o mesmo sucesso financeiro de uma joalheira de alto luxo; tudo é questão de contemplar os anseios de seu público-alvo.


Mas voltando ao enunciado, quem é então que pode cobrar taxa de anilha?

Imaginem um estabelecimento nos moldes de uma Casa del Habano em Cuba. Tomarei o exemplo do modelo ideal como referência. O lugar é ótimo, o atendimento é impecável e o estoque de charutos é imenso. Você entra lá fumando seu puro, senta para beber alguma coisa, conversar com seus amigos, enfim, relaxar e ter ali momentos agradáveis. Aí você percebe algum charuto interessante na estante e decide experimentar. É quase impossível entrar em uma Casa del Habano sem fumar algum charuto ou comprar algum acessório, tamanha a quantidade e variedade de itens que fazem um aficionado se sentir como criança em loja de brinquedos. Pergunto: qual a utilidade de taxa de anilha em uma tabacaria desse nível? Nenhuma, porque não faria diferença. O que eles oferecem já desperta tanto interesse do cliente que ele vai comprar alguma coisa com certeza.


Agora vamos imaginar o exemplo oposto, do modelo inadequado.

A tabacaria não tem um atendimento assim tão bom, os funcionários só tratam bem se você antes comprar alguma coisa, o estoque de charutos é limitado e o pouco que existe é de qualidade e procedência bem discutíveis mas preços altíssimos. Só tem uma coisa boa: espaço para degustação. Ótimo, aí você se reúne ali com amigos charuteiros para um happy-hour, apreciar um charuto, beber um uísque ou cerveja (normalmente oferecem serviço de bar). Depois de algumas horas descontraídas, você descobre que estão te cobrando um valor absurdo pela taxa de anilha. Resultado: você e seus amigos deixam de freqüentar.

O que falta nessa tabacaria do exemplo é uma leitura correta, por parte do estabelecimento, quanto ao que ele está oferecendo ao cliente. Falta conhecer esse cliente, o que poderia ser feito com um simples questionário a ser preenchido ou mesmo informalmente.

O primeiro diagnóstico deveria ser: por que meu cliente está trazendo seu próprio charuto em vez de comprar aqui? A arrogância de certos estabelecimentos os impede de ver o óbvio: porque os seus charutos são, além de muito caros, mal acondicionados, estão deteriorados e alguns são pra lá de falsificados. Sem falar na falta de opções, que muitas vezes limitam a escolha.

O segundo diagnóstico deveria ser: por que então, com todos esses problemas, as pessoas freqüentam minha tabacaria? Simples, porque tem lugar para fumar charuto. Ou seja, a única coisa boa que o estabelecimento oferece é o espaço para degustação com serviço de bar.

Qualquer empresário com visão perceberia isso. Mais uma vez, a questão do público alvo: se você tem um BAR com tabaco, é bobagem cobrar taxa de anilha, só irá afastar seus clientes. Eles vêm para beber, conversar e poder fumar seu charuto. É isso que deve querer um BAR: que seus clientes venham com os amigos para consumir a bebida. Ali está seu público-alvo e o interesse deles é pela bebida e pelo lugar, não pelo charuto que eventualmente você está vendendo.

Mas se deseja ser uma tabacaria realmente, então invista no gosto do cliente. O charuteiro se encanta por qualquer coisa interessante ligada ao assunto. Se a loja tiver acessórios interessantes, novos e diferentes, charutos novos, edições limitadas, variedade de estoque- climatizado,sempre - e preço justo, seus clientes vão consumir naturalmente, sem necessidade da antipática taxa de anilha.


Volto a dizer: taxa de anilha, para quem quer mas não pode, é tiro no pé. E para quem pode não faz diferença.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Montecristo Reserva Negra



Os charutos Montecristo fabricados na República Dominicana não têm a mesma personalidade dos originais cubanos, mas ainda assim merecem apreciação, resistindo-se à tentação de comparar uns com os outros. Só o que têm em comum é o nome.
Da família dominicana, fabricados na Tabacalera de Garcia em La Romana, onde se produzem também vários outros charutos bem conhecidos no Brasil - como Don Diego - a linha Reserva Negra é a que tem maior complexidade.
São charutos com bom padrão de qualidade, consistentes como em geral o são os dominicanos. As bitolas são as clássicas, que servem a qualquer ocasião. O miolo e o capote vêm de Honduras e da Nicarágua e a capa Maduro, mexicana, vem do vale de San Andrés. O resultado é um charuto potente, que mostra uma boa convivência de sabores picantes e adocicados.

domingo, 17 de julho de 2011

Casa de Tabaco - La Flor Dominicana

Definitivamente, esse é um daqueles casos em que a embalagem supera o produto. Litto Gomez, criador da marca La Flor Dominicana, idealizou um umidor em forma de Casa de Tabaco para abrigar o novo lançamento da linha Air Bender, a série Maduro. A miniatura da estrutura utilizada para a cura do tabaco após a colheita abriga 24 charutos na bitola Guerrero (54X165). O blend da linha Air Bender é composto por tabacos dominicanos e nicaraguenses, e a capa é de origem brasileira. É um item de colecionador.

domingo, 10 de julho de 2011

A receita do Cohiba Behike

Qualquer pessoa que já tenha degustado um Cohiba Behike sabe que ele se trata de um charuto de exceção, diferenciado dos demais.
A marca Cohiba sempre foi tratada pela então Cubatabaco, hoje Habanos S.A., como a marca de seleção do tabaco cubano. Apenas os melhores torcedores são escalados para fabricar o melhor charuto com o melhor tabaco.
O Behike original, em 2006, foi uma edição especial comemorativa aos 40 anos da marca Cohiba. Na ocasião, produziram 1000 umidores, cada um com 40 charutos.
Com o sucesso dessa edição,a idéia de tornar o Behike uma linha permanente ganhou força, mas precisavam de um fato novo. Conforme já declarou o copresidente da Habanos, Jose Luis Maique, “não podemos simplesmente dizer que esse charuto é o melhor dos melhores, a seleção da seleção. Já dizemos isso do Cohiba há 40 anos. Precisamos encontrar algo novo”. E encontraram no passado o que parece ser a fórmula ideal.
Vasculhando os arquivos das fábricas, os especialistas perceberam que alguns master-blenders do passado utilizavam no miolo um tipo de folha chamada à época de Cacho Duro - hoje denominada de Medio Tiempo. Cabe lembrar que os 3 tipos de folha normalmente usados no miolo do charuto são o ligero (folhas do topo da planta, que conferem força), seco (centro da planta, aroma) e o volado (folhas da base, pela combustividade). Cacho duro, ou medio tiempo, são pequenas folhas que surgem em apenas 10 a 15% das plantas de tabaco, na parte mais superior da planta, por ocasião da última etapa de colheita.
Uma das possíveis razões para o declínio do uso desse tabaco parece ter sido justamente a dificuldade de obtenção, o que complicaria a produção em maior escala com blend consistente. Essas folhas ficaram basicamente limitadas à produção doméstica de charutos.
Voltando ao Behike, os especialistas da Habanos S.A. , na busca pelo “ algo a mais” em um charuto que apresentasse a consistência e o refinamento já consagrados dos Cohiba, mas com uma personalidade marcante, decidiram testar a incorporação de mais uma folha ao miolo, o medio tempo (ou cacho duro dos tempos pré-revolução). O resultado, após alguns anos de muita pesquisa e trabalho, é esse produto excepcional que nos apresentaram.

domingo, 3 de julho de 2011

Davidoff Edição Limitada 2011 - 100 anos

Em comemoração ao centenário da primeira loja Davidoff, inaugurada em 1911 em Genebra por Henri Davidoff, a grife está lançando um charuto comemorativo. Recém chegado com a família, vindo de Kiev, Henri estabeleceu uma loja de tabaco. Ali começaria o interesse pelo assunto de seu filho, Zino, que viria a se tornar um dos maiores especialistas do mundo em seu tempo e fundador da marca de charutos.
Sem dúvida, a ocasião merece um charuto especial. O miolo é composto por cinco diferentes tabacos dominicanos e equatorianos, maturados de cinco a nove anos. O capote é de uma variação do San Vicente, e a capa é a famosa Yamasa-Criollo, produzida na Rep. Dominicana.
Essa edição comemorativa estará disponível nos formatos Toro e Robusto, ambos em caixas de 10 charutos. Inicialmente vendida apenas em Genebra, a partir de agosto deverá chegar às lojas da rede pelo mundo.

domingo, 19 de junho de 2011

Partagas Black Label

Após a Revolução, o então proprietário da marca cubana Partagás, Ramón Cifuentes, deixou a ilha e negociou os direitos da marca com a companhia General Cigar. Passou-se, assim,a produzir charutos Partagás (não-cubanos) na Jamaica. A partir de 1979, a produção foi transferida para a República Dominicana.
A linha Black Label busca atender a um público interessado em charutos de maior corpo e bitolas largas. Os formatos são Bravo (Robusto), Maximo (Toro), Magnifico (Toro) e Piramide (Figurado), todos com miolo e capote dominicano/nicaraguense e capa connecticut broadleaf.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Joya de Nicaragua Antaño Dark Corojo

Apreciadores de puros complexos e encorpados poderão desfrutar de grandes momentos com o Joya de Nicaragua Antaño Dark Corojo.
De acabamento muito bonito, destacado pela capa oleosa de tabaco Corojo proveniente do vale Jalapa na Nicarágua, os Antaños Dark Corojos fazem justiça à fama adquirida nos últimos anos, desde seu lançamento.
A potência se justifica pelo fato do charuto ser construído com 75% de tabaco do tipo ligero (folhas do topo da planta, que recebem maior quantidade de sol, o que lhes confere maior complexidade de sabor e força).
Apesar da grande força, a textura da fumaça é bem cremosa e aveludada, mostrando aromas de grãos tostados, café e chocolate numa base apimentada.
Estão disponíveis em cinco formatos, todos em caixas de 20 unidades: Peligroso(corona), Azarosa (rothshield), Pesadilla (belicoso), Poderoso (torpedo) e Martillo (toro).